segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Para alguns aprender a colocar limites é difícil, mas é uma necessidade.



Só agora que tenho câncer, vou fazer o que quero. 


Por Dr. Cesar Vasconcellos de Souza 

Será que você precisa mudar sua vida profissional, seu modo de se relacionar com as pessoas e consigo mesmo para melhorar sua saúde e evitar doenças psicossomáticas? 

O título acima, "Agora que tenho câncer, vou fazer o que quero" é uma declaração de uma advogada norte-americana, muito bem sucedida financeira e profissionalmente. Ela teve câncer de mama, e quando recebia ajuda psicológica para lidar com o abalo emocional que ocorre com um diagnóstico deste, compreendeu que vinha fazendo na vida não o que ela realmente queria e gostava. Ela sempre desejou estar envolvida com música, mas sempre deixou isto de lado e tocou a vida para a frente como advogada. Depois que o câncer surgiu, ela decidiu mudar radicalmente sua vida profissional, passando a fazer o que sempre desejou: música. 

Lawrence LeShan, psicólogo que trabalhou mais de vinte anos só com pacientes terminais, verificou que pessoas portadoras de câncer que fizeram mudanças como esta feita pela advogada, tiveram uma recuperação da doença e uma sobrevida bem melhor e maior do que as que não fizeram mudança alguma. (ver livros dele como "O Câncer como Ponto de Mutação", "Brigando pela Vida"). 

O que você quer na vida? Não é necessariamente fácil identificar o que se deseja na vida. Há pessoas que ficam confusas sobre o que querem. Algumas pensam que querem algo, vão em busca, conseguem, e em seguida surge o vazio e a necessidade de redefinir o desejo. Muitas não identificam o desejo pessoal. 

Nem todas, mas muitas pessoas que desenvolvem um câncer, passam por cima de si mesmas em várias coisas na vida. Elas têm dificuldade de se impor no bom sentido da palavra. Se alguém pisa no pé delas, elas é que pedem desculpas! Não possuem canais adequados para expressar sentimentos, reprimindo-os demais. Apresentam importante dificuldade de colocar limites e, assim, são vítimas de abuso com alguma frequência.


Para estas pessoas, aprender a colocar limites é difícil, mas é uma necessidade. E precisam fazer isto como um treinamento, pois para elas não é algo natural. Geralmente se sentem culpadas se dizem “não”. Elas têm uma batalha pessoal dupla porque, precisam lutar para terem coragem de colocar limites e precisam se libertar da falsa culpa por fazer isto. Enquanto que para outras pessoas isto é muito natural, para aquelas mais tímidas é como se fosse um parto.


Algumas crianças nascem com tendência a serem passivas, submissas, dóceis, reflexivas, enquanto que outras nascem questionadoras, ativas, argumentativas, impulsivas. Estas últimas também podem desenvolver um câncer, porque ele é de múltiplas causas, incluindo tendência hereditária, poluição ambiental, alimentação ruim (rica em gordura de origem animal, etc.), estresse, etc. 

Entretanto, parece que alguns indivíduos que têm muita dificuldade de expressar emoções, canalizam inconscientemente para uma parte do corpo a tensão pela sobrecarga emocional não expressada e experimentada conscientemente. Daí surge naquela parte do corpo uma enfermidade que chamamos de “psicossomática”. O corpo ajuda a mente a não surtar. Enquanto aquela pessoa não conseguir lidar com suas tensões emocionais de maneira consciente e construtiva, o corpo irá absorver o conjunto de sentimentos e implodirá no seu ponto mais fraco (ou mais forte?), que chamamos de "órgão de choque", que é o órgão ou sistema onde naquela pessoa o estresse emocional mais se manifesta. 

Então, aprender a identificar desejos, colocar limites, expressar o que sente, emitir opiniões sem medo, impor respeito, pedir ajuda, dizer "não" ou "sim" mais próximo da verdade interior do que do desejo de agradar ou de não magoar os outros, colaboram para que a saúde melhore e algumas enfermidades que se manifestam no físico, mas que têm origem na mente, não ocorram ou se ocorrerem, sejam minimizadas e não tão agressivas contra a vida.

Fonte da imagem:http://www.google.com.br